Sociedade

‘Licença do Amor’: Na China, as mulheres solteiras têm direito a férias extra

Dois dias por mês ou oito dias de folga para arranjar namorado. Se casarem, recebem o bónus anual a duplicar. Esta é a licença que está a causar polémica na China.

No ano passado, a China viu nascer cerca de 15 milhões de bebés, menos dois milhões que o ano anterior, registando o índice de natalidade mais baixo dos últimos 40 anos. O número de matrimónios também já viveu melhores dias e está em clara decadência, já que, nos últimos cinco anos, a taxa de casamentos desceu mais de 30%. Para combater as estatísticas, o Governo chinês deu carta-branca às empresas para oferecer aos trabalhadores solteiros dias de férias adicionais para procurar marido. Chama-se ‘love leave’ e está a causar discórdia na China.

Uma escola secundária, na cidade de Hangzhou, já adoptou a medida. Lá, os professores solteiros (cerca de 40% do grupo total) irão beneficiar de dois dias extra por mês. “Os nossos professores trabalham muito. Espero que, como esta licença, possam relaxar e aproveitar a vida. Acredito que os alunos serão mais felizes se os professores também o forem.”, diz Zhao, diretor do estabelecimento de ensino ao South China Morning Post.

Mas este não é caso único. Outras duas empresas, sediadas no sul de Shangai, deram, na altura da passagem de ano, oito dias de folga extra às funcionárias do sexo feminino com mais de 30 anos. E caso alguma delas se casar até ao final deste ano, a empresa compromete-se a duplicar os seus bónus anuais.

Esta é, também, uma forma das companhias demonstrarem a sua preocupação com a felicidade dos seus funcionários. “A nossa equipa está bastante ocupada com trabalho e, por isso, achámos boa ideia dar-lhes um tempo extra para procurar namorado.”, partilhou o gerente de recursos humanos de uma delas ao Washington Post.

A cultura chinesa vê com ‘maus olhos’ as mulheres solteiras com mais de 30 anos, sendo vulgarmente chamadas de ‘sobras’. Num continente onde o estigma ainda é feroz, a comunidade feminina acaba por inventar relacionamentos para escapar à humilhação social.

Origem
Jornal Economico
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