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Papa não comenta acusações de arcebispo Carlo Maria Vigano

O papa não comentou as acusações de um arcebispo de que teria ignorado durante o seu pontificado ações do cardeal norte-americano Theodore McCarrick, acusado publicamente em julho de abuso sexual.

O papa não considerou necessário comentar no domingo as várias acusações contra si que constam do texto de um arcebispo, de que teria ignorado durante o seu pontificado ações do cardeal norte-americano Theodore McCarrick, acusado publicamente em julho de abuso sexual.

“Não vou dizer uma palavra sobre isso, acho que o comunicado fala por si”, declarou o papa Francisco, quando questionado durante o voo que o levou de regresso a Roma após a visita à Irlanda.

Um ex-núncio em Washington, o arcebispo Carlo Maria Vigano, acusou o papa Francisco, numa carta aberta publicada no fim de semana, de ter anulado sanções contra o cardeal McCarrick e de ter ignorado as descrições do seu comportamento homossexual predatório junto de jovens seminaristas e sacerdotes.

“Eu li o comunicado esta manhã”, disse o papa aos jornalistas que o acompanharam no avião, referindo-se à carta. “Leiam o comunicado atentamente e façam o vosso próprio julgamento”, acrescentou. “Têm capacidade jornalística suficiente para tirar conclusões. É um ato de confiança. Quando passar algum tempo e vocês tiverem tirado as conclusões talvez eu fale, mas gostaria que a vossa maturidade profissional fizesse isso”, adiantou o pontífice.

“A corrupção atingiu o topo da hierarquia da Igreja”, disse o arcebispo Vigano na sua carta aberta, chegando a exigir a renúncia do papa Francisco. O arcebispo Vigano, de 77 anos, escreveu uma carta de 11 páginas publicada no domingo por alguns meios de cariz conservador em vários países, na qual o prelado acusa outros membros da Curia de formarem um ‘lobby gay’ e de encobrirem as acusações contra o cardeal norte-americano.

A carta baseia-se em acusações pessoais e o prelado não aponta qualquer documentação ou prova. O embaixador do Vaticano escreve que Francisco conheceu o caso a 23 de junho de 2013, porque ele próprio o comunicou “e continuou a encobrir o cardeal ex-arcebispo de Washington, McCarrik”, adianta.

Em junho passado, McCarrik, de 88 anos, foi afastado do colégio cardinalício e o papa argentino “ordenou a sua suspensão do exercício de qualquer ministério público, assim como a obrigação de permanecer na casa que lhe será destinada para uma vida de oração e penitência”.

Vigano explica n a carta que em 2013 foi o mesmo pontífice quem lhe perguntou: “Como é o cardeal McCarrick?, ao que o informou que este corrompeu gerações de seminaristas e sacerdotes e que o papa Bento XVI o mandou retirar-se para uma vida de oração e penitência”. Informou também que havia informação de tudo na Congregação para os Bispos.

O papa realizou uma visita de dois dias à Irlanda, onde visitou um famoso templo e rezou missa, depois de se ter encontrado com vítimas de abusos sexuais cometidos por membros do clero ou por autoridades e instituições católicas. Francisco passou 90 minutos no sábado a falar com oito vítimas de abuso, incluindo duas que foram forçadamente dadas para adoção quando nasceram, porque as mães não eram casadas. São alguns dos milhares de adotados irlandeses, cujas mães solteiras foram forçadas a viver em casas de trabalho. Uma vítima, Clodagh Malone, disse que Francisco ficou “chocado” com o que lhe contaram, mas “ouviu cada um com respeito e atenção”.

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Observador
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