Casar logo depois de um divórcio? Proposta não tem maioria no Parlamento
PS, Bloco de Esquerda e PAN acertaram há mais de um ano um texto conjunto que acaba com o prazo internupcial, permitindo um novo casamento logo após o divórcio, mas o projeto está parado desde então. Tal como está, a proposta arrisca-se a chumbar se for a votos: socialistas, bloquistas e o deputado único do PAN não fazem maioria. E a medida não recolhe o apoio de toda a esquerda parlamentar - o PCP é contra. PSD e CDS também não veem com bons olhos esta alteração.
Os prazos atualmente em vigor, que constam do Código Civil, impedem um segundo casamento num prazo de 180 dias após divórcio ou viuvez, no caso dos homens, e de 300 dias no caso das mulheres (que podem baixar para 180 se apresentarem um atestado médico em como não estão grávidas). Uma limitação que está na lei desde 1966, imposta em nome da presunção de paternidade - o prazo internupcial visa afastar dúvidas quanto à paternidade de um filho nascido após a dissolução do casamento.
E é neste ponto que se levanta a oposição do PCP. Para a bancada parlamentar comunista, o fim do prazo internupcial "não só não teria nenhuma vantagem relevante para ninguém como viria criar problemas que hoje não existem". "Haverá alguma vantagem em acabar com a presunção ? Nós não estamos a ver qual seja. Não vemos vantagem nenhuma em obrigar uma mãe casada a ter de declarar quem é o pai do seu filho quando isso hoje está resolvido com uma presunção legal", defendeu o deputado António Filipe, na discussão parlamentar dos projetos, garantindo então: "Estas iniciativas não terão a nossa aprovação." O DN tentou contactar o parlamentar do PCP, sem sucesso.
PSD e CDS também não são adeptos da medida: nenhum dos partidos se mostrou favorável às propostas em cima da mesa. Os sociais-democratas até deixaram a porta entreaberta, ao afirmar que admitiam ponderar, desde que houvesse "melhorias" na proposta - uma posição que se mantém, diz ao DN Carlos Peixoto, deputado social-democrata da comissão parlamentar de Assuntos Constitucionais.
Se num primeiro momento a iniciativa ficou à espera de outras alterações ao Código Civil que estavam em discussão no Parlamento, Pedro Delgado Alves, do PS, e Sandra Cunha, do BE, confirmam ao DN que o processo não avançou entretanto para votação por não ter apoio maioritário no Parlamento. "Seria chumbado", diz a deputada bloquista, apontando para novas negociações em torno do texto na próxima sessão legislativa, que se inicia em meados de setembro.