As partículas de poeira que vêm do Norte de África podem ainda ter um efeito não previsto sobre a temperatura
Vânia Lopes, meteorologista do IPMA, confirma ao DN que no sábado podem ser batidos máximos históricos de temperatura no país. Neste momento, o recorde está nos 47,3ºC, registados na Amareleja em 2003. No entanto, a especialista refere que as partículas de poeira que vêm do Norte de África podem ainda ter um efeito não previsto sobre a temperatura. "Hoje, por exemplo, os valores estão abaixo do previsto, tanto pela questão das poeiras, que não foi tida em conta pelo modelo, como pela entrada de ar marítimo, portanto temos de esperar até ao final do dia para ter uma previsão mais fina".
Ainda assim, às 12.00 desta quinta-feira já se registavam 36ºC no distrito de Santarém, para onde eram esperados os valores mais altos no dia de hoje. Helder Silvano, que há 19 anos gere o site Meteo Abrantes, defende que os valores previstos para estes dias são "excecionalmente raros" e tanto o meteorologista amador como a especialista do IPMA reconhecem que estamos a falar das temperaturas mais altas do mundo nesta altura. "Não é assim tão raro ter ondas de calor, embora ainda não se possa falar de uma onda de calor em Portugal, mas devemos lá chegar. Agora é excecionalmente raro termos temperaturas destas. Não há memória de terem sido atingidos valores destes em Portugal", afirma.
A explicação passa pelo retorno do anticiclone dos Açores à sua posição e a descida de um outro que estava sobre a Escandinávia, fenómeno que, segundo Hélder Silvano, vai buscar poeiras e massa de ar quente ao deserto, "onde é possível que esteja mais fresco do que cá".
É excecionalmente raro termos temperaturas destas. Não há memória de terem sido atingidos valores destes em Portugal
Para lidar com este pico de calor, as autoridades recomendam que se reforce a vigilância de idosos e doentes crónicos que vivem sozinhos, que se moderem as atividades ao ar livre e se tenha atenção aos avisos das autoridades de saúde, do Instituto Português do Mar e da Atmosfera e da Autoridade Nacional de Proteção Civil. As pessoas devem também manter o corpo hidratado e fresco com ingestão de líquidos e evitar a exposição solar, em especial entre as 11.00 e as 17.00.