ão foi feito ainda”, dominaram a audição do ministro do Planeamento e Infraestruturas desta quarta-feira no Parlamento. Uma semana depois de um debate em que afastou o cenário de privatização da CP ou da Emef, Pedro Marques voltou a ser questionado sobre o estado da ferrovia na comissão de Economia e Obras Públicas. A discussão sobre que governo devia, e podia, ter aprovado e executado os investimentos no setor ferroviário começou com a Linha de Cascais, mas acabou por alastrar a toda a ferrovia.
Nos últimos meses têm sido anunciados investimentos, contratações e compra de comboios, mas estas decisões demoram tempo, anos, a produzir resultados. E não evitam as falhas no serviço da CP que foram notícia este verão.
O requerimento foi apresentado pelo CDS, partido que apanhou a boleia dos problemas operacionais da CP este verão, para fazer uma volta a Portugal em comboio. Hélder Amaral questionou Pedro Marques sobre as várias falha nos serviços da empresa, desde a supressão de comboios, lembrando que a solução aprovada pelo Governo na passada semana — compra de 22 comboios regionais — só chega em 2023. “
Tenha a coragem de os comprar este ano que o CDS apoia”.
Não sabe que temos de encomendar primeiro? Isso é demagogia”, acusa Pedro Marques. Na resposta, o ministro devolve o tema com várias perguntas “retóricas” ao CDS.
“E porque não autorizaram a compra de comboios em 2012 para estarmos a recebê-los agora? Qual é a resolução do Conselho de Ministros do seu Governo — Executivo PSD/CDS — a aprovar a compra de comboios? Não há comboios para receber em 2018 porque não aprovaram a compra de material circulante em 2012″.
Pedro Marques voltou a puxar dos galões para classificar de “histórica” a decisão, anunciada na semana passada de comprar novos comboios, que não acontecia há 20 anos. E cita todas as obras que estão a ser feitas de requalificação ferroviária nas linhas do Minho, do Norte, corredor Leste. “
Com atraso de dois anos”, vai lembrando Hélder Amaral, face ao plano de dois mil milhões de euros na ferrovia. O Governo está trabalhar com o que encontrou, contrapõe Pedro Marques:
Passamos do Powerpoint à obra no terreno”.
As respostas, em jeito de contra-ataque vieram pelo parceiro do anterior Governo, através do deputado do PSD Carlos Silva.
Não comprámos os comboios em 2012, porque não podíamos. A ordem era para fechar linhas e vender. O Sr em 2016 podia ter comprado comboios e não o fez”.
O deputado social-democrata insistiu: os anúncios dos investimentos não resolvem o problema de agora. Qual é o plano estratégico a curto prazo? Carlos Silva lamenta ainda o estado de degradação a que chegou a Emef, a empresa de manutenção da CP que visitou recentemente.
A Emef é uma catedral do ferro-velho, não há peças nos armários. A CP nunca esteve tão mal como agora. Não conseguem fazer a oferta que existia em 2014. Anunciam estimativas e reprogramações que não resolvem o problema da CP”.
E diz, ironicamente, que os serviços da CP em algumas linhas já são conhecidos como o “comboioneta”, numa alusão ao uso de autocarros para substituir os comboios que falham.
Pedro Marques devolve algumas das perguntas. “
Alguma vez perguntou à troika se podia comprar comboios? Teve alguma recusa por escrito? O ministro acusa o anterior Governo de ter cortado “centenas de trabalhadores” na Emef, insistindo na tese de que o abandono da ferrovia era a estratégia para privatizar os serviços e alertando para as diferenças ideológicas entre os dois executivos.
E porque não avançou a compra de comboios em 2016? O deputado socialista Ricardo Bexiga diz que o plano apresentado pelo anterior presidente da CP, Manuel Queiró (que é militante do CDS) era
“megalómano” e teve de ser revisto. Pedro Marques concorda e diz que foi preciso rever esse plano que defendia a aquisição de 35 comboios, incluindo dez unidades para o longo curso, por 330 milhões de euros.
“Preferia ter agora que colocar a verba no orçamento do Estado e ter os comboios a chegar”, garantiu sem, no entanto, explicar porque demorou tanto tempo a aprovar o plano que começou a ser discutido com a CP em 2016, ainda que pelo meio tenha sido sido substituída a administração da empresa.
O ministro justificou ainda a opção de reduzir o concurso para 22 comboios para os serviços regionais com decisões de política pública. Na insuficiência de recursos, é preciso fazer opções e definir as prioridades. Pedro Marques lembra ainda as renovações que estão a ser feitas na frota dos Alfa.
E qual é a resposta no curto prazo? Está a ser feito o que pode ser feito agora: contratar mais pessoas, sobretudo para a Emef, e alugar comboios a Espanha.