O Presidente dos EUA, Donald Trump, escreveu cartas a vários aliados da NATO, incluindo Portugal, questionando-os por gastarem tão pouco na sua própria defesa. Nas missivas, Trump alerta que os Estados Unidos estão a perder a paciência com o que diz ser o fracasso dos aliados em cumprir as obrigações de segurança partilhadas pela Aliança Atlântica. Na edição desta terça-feira, o jornal “The New York Times” revela passagens da carta endereçada à chanceler alemã, Angela Merkel. “Como discutimos durante a sua visita em abril, há uma frustração crescente nos EUA por alguns aliados não terem intensificado como prometido”, escreveu Trump. “Os Estados Unidos continuam a dedicar mais recursos à defesa da Europa quando a economia do continente, incluindo a alemã, está a correr bem e os desafios de segurança abundam. Isto já não é sustentável para nós”, acrescentou, sublinhando que a “frustração crescente não se limita ao ramo executivo” e que “o Congresso americano também está preocupado”.

ALEMANHA “MINA SEGURANÇA” PORQUE LEGITIMA ALIADOS QUE A “A VEEM COMO MODELO”

Trump acusa ainda a Alemanha de “minar a segurança da aliança” por “validar” a atuação de “outros aliados que também não planeiam honrar os seus compromissos de gastos militares porque veem como um modelo”. “No entanto, será cada vez mais difícil justificar aos cidadãos norte-americanos por que razão alguns países não partilham o ónus da segurança coletiva da NATO, enquanto soldados americanos continuam a sacrificar as suas vidas no exterior ou voltam gravemente feridos”, contrapõe Trump. O Presidente norte-americano queixa-se de que muitos aliados não estão a cumprir o compromisso de gastar 2% do seu Produto Interno Bruto (PIB) em defesa nacional, compromisso que assumiram na cimeira de 2014 da NATO no País de Gales. Não sendo o primeiro Presidente dos EUA a fazê-lo, Trump tem levado muito mais longe as suas críticas, alegando que alguns dos aliados mais próximos são essencialmente pesos-mortos que não têm liquidado as dívidas à organização. Na próxima semana, os membros da Aliança Atlântica encontram-se em Bruxelas, uma reunião que, segundo analistas, irá destacar as divisões no seio da organização. O mal-estar deverá jogar a favor do Presidente da Rússia, Vladimir Putin, com quem Trump se encontrará em Helsínquia, na Finlândia, após a cimeira da NATO.