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Benfica. Apagou-se a luz para Rui Vitória – e agora é mesmo de vez

Na ressaca da derrota em Portimão, não houve lugar a mais visões presidenciais: Vitória saiu mesmo. Frente ao Rio Ave será Bruno Lage, até agora na equipa B, o treinador encarnado, mas o futuro tem outro nome

“Há quem diga que sou um visionário, que parece que vejo mais à frente. Por vezes tenho feelings. Aconteceu com o [Jorge] Jesus [em 2013] e no fim fomos campeões; agora voltou a acontecer. Depois de muita reflexão, de uma noite no Seixal quase sem dormir, onde meditei bastante, entendi que Rui Vitória devia continuar, que é o homem certo no lugar certo. Olhe, foi uma luz que me deu! O tempo dirá se tenho razão ou não.” Estas foram as palavras utilizadas por Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica, no passado dia 29 de novembro para justificar a permanência de Rui Vitória no cargo de treinador das águias, logo após a goleada por 5-1 em Munique para a Liga dos Campeões e depois de uma reunião entre toda a direção onde havia sido decidido que o técnico devia sair.

Hoje, a 3 de janeiro de 2019, na ressaca da derrota por 2-0 no Algarve, frente ao Portimonense, não houve feeling presidencial que valesse ao treinador de 48 anos: às 20h35, a CMVM divulgou o comunicado emitido pelos encarnados com a oficialização de um princípio de acordo para a rescisão de contrato “com efeitos imediatos” com Rui Vitória. Como se pode perceber por estas palavras, o acordo com o técnico ainda não está finalizado: há algumas arestas por limar, nomeadamente no que respeita à questão dos salários a que Rui Vitória teria direito – estava ligado contratualmente ao Benfica até ao fim da próxima temporada. O jornal “A Bola”, por exemplo, garantia ontem que o técnico irá continuar a receber ordenado por parte das águias enquanto não encontrar novo clube, e o próprio Luís Filipe Vieira garantiu, na conferência de imprensa onde revelou a tal epifania, que isso iria acontecer caso Vitória tivesse saído em novembro.

Este cenário, porém, pode até nem demorar muito. A imprensa árabe, que há vários meses tem insistido no alegado interesse do Al Nassr, atual segundo classificado da liga saudita, nos préstimos de Rui Vitória, já adiantava ontem à tarde que o técnico português estaria a acordar a rescisão com o Benfica para rumar de facto à Arábia Saudita, ocupando um lugar que esteve muito perto de ser de Leonardo Jardim – o técnico madeirense chegou a assistir ao vivo a um jogo do conjunto árabe, mas acabou depois por declinar o convite. Desde então, Hélder Cristóvão, figura do Benfica enquanto defesa central e ex-treinador da equipa B encarnada, passou a acumular as funções de coordenador da formação do Al Nassr com a de treinador da equipa principal, numa solução sempre vista como interina.

Bruno Lage a tapar o buraco Por falar em treinadores interinos, foi essa a solução encontrada pela direção do Benfica para a partida deste domingo com o Rio Ave, na Luz, referente à jornada 16 da liga portuguesa: será Bruno Lage, até aqui o timoneiro da equipa B, a orientar a formação encarnada perante os vila-condenses – também eles a experienciar os efeitos de uma troca técnica: irão estrear Daniel Ramos no banco, após a saída de José Gomes para o Reading e a “missão de urgência” de Augusto Gama.

No curto comunicado emitido à CMVM, o Benfica não dava qualquer informação relativa à sucessão de Rui Vitória; pouco depois, porém, emitiu uma nota no seu site a confirmar a subida provisória de Bruno Lage na hierarquia – onde, refira-se, fez um “público reconhecimento pelo valioso e meritório trabalho efetuado” por Rui Vitória, lembrando os dois campeonatos, uma Taça de Portugal, uma Taça da Liga e duas Supertaças conquistadas pelo treinador ribatejano desde que, em junho de 2015, assumiu o comando técnico das águias.

Lage, de 42 anos, é um técnico já com largo historial no Benfica, sempre nas camadas jovens. Chegou ao clube encarnado em 2004/05, depois de passar por alguns clubes do distrito de Setúbal (de onde é natural), assumindo o cargo de treinador da equipa B dos juvenis. Passou também pelos juniores e iniciados e voltou aos juvenis entre 2009 e 2012, antes de aceitar o convite do Al Ahli, dos Emirados Árabes Unidos, para orientar a sua equipa de juniores em 2013. Na época seguinte subiu para a equipa B e em 2015/16 juntou-se à equipa técnica de Carlos Carvalhal, acompanhando-o no Sheffield Wednesday e no Swansea. Decidiu esta temporada aceitar o desafio de regressar ao Seixal para suceder a Hélder Cristóvão na equipa B encarnada, tendo agora pela frente o primeiro grande desafio da carreira como técnico principal.

Jesus, sempre Jesus Para já, ainda não há fumo branco em relação ao sucessor a longo prazo para Rui Vitória. Segundo o i conseguiu apurar, o nome de Rui Faria, ex-adjunto de José Mourinho, estará a ser cogitado – Vítor Pereira, bicampeão nacional pelo FC Porto entre 2011 e 2013, também estaria em agenda, mas revelou em dezembro passado que iria aceitar a proposta de renovação do Shanghai SIPG, com quem se sagrou campeão na China na última temporada.

E depois, claro, há Jorge Jesus, aquela sombra que pairou no horizonte encarnado durante toda a permanência de Rui Vitória no cargo, logo desde o verão de 2015. Em novembro, Vieira garantia que Jesus “nunca foi hipótese” nem sequer chegou a ser contactado no sentido de um regresso ao cargo que ocupou entre 2009 e 2015 – embora ressalvando que não podia “prever o que acontecerá no futuro” -, deixando mesmo uma “indireta” ao atual técnico do Al Hilal: “Nenhum treinador virá cá para fazer o projeto dele, mas sim o do Benfica.” Resta saber se esta máxima é para manter.

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Sol
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