Tecnologia

Da máscara capaz de inativar o vírus ao semáforo de praia. Há (muita) tecnologia portuguesa no combate ao novo coronavírus

O novo coronavírus apanhou todos de surpresa e Portugal, à semelhança de muitos outros países, sentiu uma forte escassez de produtos que permitam fazer face à pandemia. Numa tentativa de suprimir esta insuficiência, foram várias as empresas, entidades e instituições que começaram a desenvolver soluções inovadoras para ajudar no combate à Covid-19.

À medida que o novo coronavírus se propagou pelo mundo, a procura por materiais de proteção pessoal e equipamento médico aumentou. Tendo em conta que muitos países não tinham produção interna suficiente para satisfazer estas novas necessidades, deu-se uma corrida aos mercados internacionais para obter os materiais necessários para fazer face à pandemia.

Como resultado disso, observou-se um forte aumento, em abril, nas importações da União Europeia vindas da China, especialmente em produtos têxteis como máscaras comunitárias, máscaras cirúrgicas e máscaras e cortinas descartáveis, segundo dados da Comissão Europeia.

De forma a evitar a dependência do país do stock internacional de materiais e equipamentos de saúde, os portugueses começaram a criar soluções inovadoras para suprimir os efeitos negativos da pandemia. De facto, em abril, Portugal foi classificado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) como o país com mais projetos inovadores para combater a Covid-19. Os dados da OCDE mostram que existiam mundialmente 148 projetos diferenciadores, 17 dos quais em Portugal, o que corresponde a cerca de 11% do total.

Assim, vimos surgir em Portugal movimentos como o 3D Mask Portugal, uma comunidade de voluntários que produziu 24.000 viseiras em impressoras 3D, e o Tech4Covid19, um movimento de mais de 5.000 pessoas que uniram forças para trabalhar em vários projetos para ajudar a resolver alguns dos problemas causados pela Covid-19. No entanto, no nosso país as soluções inovadoras criadas vão para além de iniciativas comunitárias e do desenvolvimento de software e aplicações.

Estas são algumas das soluções de hardware desenvolvidas por empresas, entidades e instituições portuguesas para ajudar no combate à Covid-19.

  • Primeira máscara capaz de inativar o novo coronavírus

Foi criada em Portugal a primeira máscara têxtil e reutilizável que inativa o novo coronavírus, fruto da cooperação entre a fabricante Adalberto, a retalhista de moda MO da Sonae Fashion, o Instituto de Medicina Molecular, o centro tecnológico CITEVE e a Universidade do Minho.

Pedro Simas, investigador e virologista Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes, explica em nota de imprensa que “os testes à máscara MOxAdtech revelaram uma inativação eficaz do SARS-CoV-2 mesmo após 50 lavagens, onde se observou uma redução viral de 99% ao fim de uma hora de contacto com o vírus, de acordo com os parâmetros de testes indicados na norma internacional”.

  • O quiosque Hygistation

A Famasete, empresa de Vila Nova de Famalicão que fabrica tecnologia interativa, redesenhou o seu produto e lançou o Hygistation, um quiosque multifunções com reconhecimento facial, controlo de acessos, medição de temperatura corporal sem toque, validação da utilização de máscara, dispensador automático de desinfetante para as mãos e gestão de filas de espera.

Este equipamento com o selo da Wingsys, marca criada pela Famasete, dará resposta à crescente necessidade de controlo sanitário e prevenção da propagação do novo coronavírus. Será utilizado em espaços públicos como restaurantes, salas de espetáculos, lojas, aeroportos, hospitais, praias, shoppings, entre outros.

  • A unidade móvel de desinfeção Violet – Ultra Cleaner

A AAS – Sociedade Portuguesa de Inovação Ambiental Lda e a TIS – Technological and Intelligent Systems Lda desenvolveram um equipamento capaz de esterilizar espaços, superfícies e objetos com eficiência, rapidez e sem a utilização de agentes químicos. A Violet – Ultra Cleaner é uma unidade móvel composta por lâmpadas UVC germicidas que esterilizam o ar e superfícies em espaços interiores, eliminando bactérias, vírus e outros micro-organismos. Este aparelho está concebido para inativar o SARS-CoV-2, esterilizando espaços como quartos, salas, casos de banho, escritórios, entre outros.

  • O quiosque SafePoint

A Ésistemas, uma empresa localizada no Porto dedicada à distribuição de soluções audiovisuais e dispositivos de integração, automação e equipamentos audiovisuais e multimédia, desenvolveu um quiosque digital e plataforma de gestão de conteúdos com dispensador de gel desinfetante. O SafePoint inclui diversos conteúdos em português sobre a Covid-19 que são disponibilizados com a aquisição do produto.

  • A linha de esterilização Cleancare

A empresa de soluções tecnológicas de impressão digital MTEX NS, localizada em Vila Nova de Famalicão, também procurou desenvolver novos produtos. Assim, surgiram dois equipamentos da sua linha Cleancare: PHYS e PURE.

O PHYS é um sistema de esterilização inovador que combina luz ultravioleta C com ozono para eliminar eficazmente o vírus SARS-CoV-2. Este equipamento irá garantir que todos os itens das lojas sejam mantidos 99% livres de vírus e prontos para serem utilizados com segurança.

O PURE é um sistema de purificação e esterilização do ar destinado a ser utilizado em restaurantes, hotéis, ginásios, escritórios, entre outros. Este equipamento esteriliza a roupa, calçado e acessórios e pode ser utilizado tanto por empresas com por particulares.

  • Os sistemas de pagamento TP-6X4

A Zarph é uma empresa especializada em sistemas de pagamentos e depósitos sediada em Odivelas, Lisboa. A empresa desenhou, desenvolveu e produziu as soluções TP-6X4, equipamentos self-service que ajudam a manter a distância social entre o trabalhador e o cliente, eliminando, assim, o contacto em processos de pagamento em loja.

Com mais de 200 máquinas no mercado português, esta solução possui um sistema autónomo que permite pagamentos com notas, moedas e cartões através de uma operação totalmente self-service e dispõe também de pagamentos contactless com recurso a dispositivos móveis.

  • Primeiro ventilador português

Foi produzido, em apenas 45 dias, o primeiro ventilador português designado Atena no CEiiA – Centro de Engenharia e Desenvolvimento, em Matosinhos. O ventilador recebeu  em julho autorização do Infarmed para o seu uso em contexto hospitalar na luta contra a Covid-19, apesar do parecer negativo do grupo de peritos criado para avaliar os ventiladores pulmonares. “Um momento histórico que valida definitivamente a nossa capacidade para desenvolver e produzir novos produtos críticos para a soberania do país”, adianta o CEiiA.

  • O semáforo para a praia

A Smart City Sensor, startup tecnológica de Vila Nova de Gaia, criou um semáforo para controlar a ocupação nos areais. Esta solução trata-se de um torniquete virtual que controla as entradas e saídas das praias com um radar, reproduzindo a sua taxa de ocupação nas cores semáforo. O sistema permite a visualização de dados em tempo real e possibilita emitir alertas para as entidades municipais responsáveis ou para a Proteção Civil, sempre que o limite máximo de ocupantes da praia estiver a ser excedido.

Um artigo do parceiro

https://startupportugal.com/A Startup Portugal, responsável pela promoção da estratégia nacional para o empreendedorismo, desenvolve iniciativas próprias que suportam as startups desde a fase da ideia à fase de implementação e internacionalização. Agora, une-se ao SAPO24 e ao The Next Big Idea para trazer semanalmente uma série de artigos sobre tendências e notícias à volta do mundo das startups e não só.Mais artigos STARTUP PORTUGAL

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