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Montepio. Associação aprova hoje em AG contas de 2018

Lucros caíram 99% e capitais próprios mantêm-se positivos devido ao reconhecimento de ativos por impostos diferidos admitidos em 2017.

A Associação Mutualista Montepio Geral (AMMG) vai aprovar hoje as contas em assembleia-geral (AG) referentes a 2018. O i sabe que este é o único ponto da agenda e que os capitais próprios da entidade liderada por Tomás Correia se mantêm positivos devido ao reconhecimento de ativos por impostos diferidos admitidos no ano de 2017, depois de a mutualista ter passado a ser tributada em sede de IRC, já que os lucros afundaram 99% no ano passado para 1,6 milhões de euros. A AMMG espera, no entanto, vir a aumentar os lucros este ano, tendo inscrito um resultado positivo de 44 milhões de euros no plano de ação e orçamento para 2019.

Para Eugénio Rosa, antigo membro do conselho geral do banco, as contas não são animadoras. O economista chama a atenção para a redução do ativo do grupo que, entre 2017 e 2018, passou de 22 452 milhões para 20 761 milhões de euros, o que, no seu entender, “mostra a fragilidade e as dificuldades crescentes do Montepio”. 

Outra crítica do opositor de Tomás Correia diz respeito à redução do número de associados que, entre 2016 e 2018, diminuiu de 632 675 para 612 607. “A queda não é maior devido ao facto de que quem obtém crédito no Banco Montepio é obrigado a ser associado para ter alguns descontos”, salienta. De acordo com as contas de Eugénio Rosa, em três anos, os levantamentos das poupanças pelos associados foram superiores às entradas em 686 milhões de euros, já a liquidez imediata para reembolsar as poupanças aos associados “registou uma enorme queda pois, entre 2016 e 2018, passou de 1510 milhões para apenas 514 milhões de euros, ou seja, reduziu-se a um terço”. 

Alteração de estatutos A AG ocorre numa altura em que está em contagem decrescente o prazo de apresentação de proposta de alteração dos estatutos. Com a entrada em vigor do Código das Associações Mutualistas, a 2 de setembro, o legislador obrigou a entidade liderada por Tomás Correia a adaptar os estatutos à nova lei no espaço de um ano.

Ao que o i apurou, a comissão de revisão dos estatutos, eleita na AG de março passado, está a concluir o seu trabalho de alteração dos estatutos, o que implicará uma convocação de uma reunião de AG e, ao que tudo indica, será já no mês de agosto. 

Para já, garantida será a convocação de eleições para a assembleia de representantes, órgão associativo novo que está previsto no código. No entanto, o i sabe que, na comissão de revisão dos estatutos, as opiniões dividem-se e há quem defenda que se realizem eleições para todos os órgãos associativos, incluindo para o conselho de administração. 

Esta incerteza surge depois de ter sido pedido o registo junto da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) dos 22 titulares de órgãos associativos e quadros relevantes, em maio. Mas o i sabe que o órgão de supervisão solicitou elementos adicionais e esclarecimentos de natureza administrativa. Entretanto, a ASF solicitou a emissão de pareceres ao Banco de Portugal e CMVM sobre os membros a registar, em conformidade com a legislação em vigor. 

O exercício de funções de Tomás Correia e de Luís Almeida em administrações anteriores no Banco Montepio será relevante nessa apreciação. Também Virgílio Lima, com passado de gestão na seguradora Lusitânia, estará sob escrutínio na avaliação. Já os restantes membros do conselho da associação mutualista, Idália Serrão e Carlos Beato, sem funções anteriormente exercidas na atividade seguradora e bancária, não carecem de pareceres dos outros supervisores.

Origem
Jornal i
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