Tecnologia

Um espião sem regras. Facebook é “gangster” que sabe tudo sobre todos

A rede social de Mark Zuckerberg está envolvida numa nova polémica. Não precisa de ter conta no Facebook, ele sabe tudo sobre si na mesma. Como? De todas as maneiras

Não é preciso que tenha conta no Facebook para que esta rede social possa ter acesso a informação sobre si. E não falamos apenas do nome, idade e lista de amigos ou qualquer outro aspeto inócuo. De acordo com o “Wall Street Journal”, várias aplicações disponibilizam informações, algumas delas sensíveis, à empresa, sem que o utilizador tenha conhecimento. Depois de várias investigações, polémicas e acusações sobre posições abusivas para chegar a dados quer de utilizadores quer daqueles que o não são, parece que esta matéria continua sem rei nem roque.

A empresa admite que o faz e tem explicações para dar, mas cada vez parece haver menos pessoas dispostas a aceitá-las. No centro da questão está o facto de muitos telemóveis utilizarem um instrumento que permite analisar as atividades do utilizador. As informações são recolhidas e enviadas para o Facebook. A publicação garante que fez vários testes e diz mesmo que acontece sem conhecimento do utilizador, e até em casos em que não há sequer conta nesta rede social. Em resposta, Andrew Cuomo, governador de Nova Iorque, já pediu uma investigação urgente por considerar que é grave o Facebook ter acesso a informações sensíveis que nem fazem parte das partilhas feitas na própria plataforma. As informações passadas ao Facebook desta forma podem compreender, por exemplo, dados sobre ciclos menstruais e até pressão arterial. Cuomo, tal como muitos outros, considera que tanto a recolha de informações como a forma como é feita constitui um grave “abuso”. As queixas seguem agora para os reguladores. 

O “Wall Street Journal” avança que algumas das aplicações envolvidas são muito “populares”. No fundo, os seus utilizadores não sabem, mas estão constantemente a enviar ao Facebook dados sobre questões que vão do peso aos hábitos de consumo. “Partilhar as informações através das aplicações no seu iPhone ou no seu aparelho Android [o sistema móvel da Google] corresponde à maneira como funciona a publicidade móvel e é uma prática habitual neste setor”, reagiu uma porta-voz da Facebook. No entanto, nem todos concordam com a forma como a empresa olha para o que pode ou não fazer para recolher informações. Muitos criticam cada vez mais a forma como o Facebook usa e abusa das informações. E o pior é que, para ser “vítima” deste esquema, nem é preciso estar registado na rede social.

Aplicação do Facebook obrigatória Vários utilizadores de smartphones da Samsung lançaram a polémica. Um pouco por todo o mundo têm aparecido testemunhos de quem não consegue apagar a aplicação do Facebook no telemóvel. Tudo começou quando Nick Winke decidiu apagar a aplicação do Samsung Galaxy S8, mas percebeu que essa opção não existia. De acordo com a “Bloomberg”, a única opção era desativar a aplicação. Ao que tudo indica, esta questão apenas se levanta porque existe um acordo entre a rede social e a Samsung. Um porta-voz do Facebook veio garantir que desativar a aplicação tem o mesmo efeito que apagar a aplicação, mas nem todos entendem a questão de forma tão simples. Vários utilizadores têm mostrado a sua indignação por não terem conhecimento de que não podiam apagar a aplicação. De resto, a discussão em torno do acesso aos dados dos utilizadores está longe de ser uma novidade. Jeff Chester, diretor executivo do Center for Digital Democracy, diz que “só recentemente é que as pessoas perceberam que andam a alimentar um espião dentro do bolso”.

Os escândalos com a rede social parecem não parar. A questão da privacidade e da utilização dos dados pessoais por parte das empresas tem feito correr rios de tinta, depois de se saber que as gigantes tecnológicas guardam e partilham informação sem consentimento do utilizador. O verniz voltou a estalar quando se ficou a saber que a Google guardava a localização dos utilizadores mesmo quando estes não o autorizavam. E nem a garantia de que não quer usar os serviços de localização descansou toda a gente. Ao que tudo indica, a Google está mesmo determinada em conhecer a localização dos utilizadores, com ou sem consentimento. 

Já a polémica em torno da Cambridge Analytica, suspeita de ter usado indevidamente dados de largos milhões de utilizadores do Facebook para influenciar o resultado das eleições presidenciais dos Estados Unidos e o referendo do Brexit, tinha dado muito que falar. Fez mossa na imagem da impresa, provocou uma desvalorização tremenda em bolsa e deixou muitos investidores sem confiança na rede social. A informação de que os dados de vários utilizadores teriam sido utilizados de forma indevida e sem consentimento caiu como uma bomba e levou mesmo à criação de um movimento que apoia o abandono do Facebook.

Agora, nem a decisão de apagar a conta parece garantir que a rede social deixa de ter acesso aos dados. Recorde-se que, já este mês, um relatório do Parlamento britânico denunciava o Facebook por atuar como um “gangster digital”. A empresa foi acusada de violar a lei da privacidade e concorrência intencionalmente, vendendo, de forma abusiva, informação dos utilizadores.

Origem
Jornal i
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