O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping, encerraram esta quinta-feira, em Pequim, duas horas de conversas durante as quais Taiwan dominou a agenda bilateral.

Xi Jinping advertiu que uma má gestão da questão de Taiwan poderá conduzir a um verdadeiro conflito entre a China e os Estados Unidos.

«A questão de Taiwan é a mais importante nas relações sino-americanas. Se for bem tratada, as relações entre os dois países poderão permanecer globalmente estáveis. Se for mal tratada, os dois países entrarão em confronto, ou mesmo em conflito», declarou Xi Jinping durante o encontro no Grande Salão do Povo, na Praça Tiananmen.

Porque é que Taiwan pesa tanto nestas conversações?

O desagrado de Pequim prende-se com a aprovação de um pacote de armas norte-americano de 11 mil milhões de dólares (cerca de 9,3 mil milhões de euros) destinado à ilha.

A China insiste que esta questão «não pode ser evitada» e procura sinais concretos de redução do apoio norte-americano a Taiwan.

Entre os restantes temas em discussão esteve ainda a guerra no Irão, o comércio bilateral e a possibilidade de um acordo tripartido de armas nucleares entre Washington, Pequim e Moscovo.

O que prometeu Xi Jinping?

Em tom mais conciliador, o presidente chinês prometeu abrir ainda mais o país às empresas estrangeiras, incluindo as americanas. «Vamos ter juntos um futuro fabuloso», afirmou Xi, acrescentando que as empresas norte-americanas estão profundamente envolvidas na reforma e abertura da China, e que ambas as partes beneficiam dessa cooperação.

Trump chegou na quarta-feira a Pequim para iniciar dois dias de reuniões com o homólogo chinês, tendo sido recebido no Grande Salão do Povo, edifício que acolhe a Assembleia Nacional Popular.

Para Portugal, estas conversas carregam importância indireta: o comércio entre a China e a Europa mantém-se um tema central nas negociações da União Europeia, e qualquer escalada de tensão entre Pequim e Washington pode afectar as cadeias de abastecimento globais de que também as empresas portuguesas dependem.