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Primeiro-ministro francês admite erros na gestão da crise dos “coletes amarelos”

O primeiro-ministro francês, Edouard Philippe, admitiu que o Governo não “ouviu suficientemente os franceses” e “cometeu erros” na gestão da crise dos “coletes amarelos”, numa entrevista ao jornal Les Echos que será publicada na segunda-feira.

Nós não ouvimos suficientemente os franceses. Estou convencido de que eles querem que nós transformemos este país. Digo-lhes que a sua impaciência é a minha. Vamos continuar a reparar o país contando mais com eles”, sublinhou Philippe na entrevista divulgada online este noite, na qual ele pormenoriza as medidas anunciadas pelo Presidente, Emmanuel Macron, para apaziguar a ira dos milhares de manifestantes que, desde 17 de novembro, saíram à rua em todo o país para exigir melhores condições de vida.

O chefe do executivo francês anunciou igualmente a realização de um debate sobre o referendo de iniciativa cidadã (RIC), uma das principais reivindicações dos “coletes amarelos”, que afirmou poder ser “um bom instrumento numa democracia”. “Não vejo como é que se pode ser contra o princípio que lhe subjaz. O referendo pode ser um bom instrumento numa democracia, mas não sobre qualquer assunto, nem em quaisquer condições. É um bom tema para o debate que vamos realizar em toda a França. Como o é o voto em branco”, sustentou o primeiro-ministro na mesma entrevista.

O movimento dos “coletes amarelos”, convocado por cidadãos comuns nas redes sociais, começou por ser um protesto contra o aumento dos combustíveis em França, mas depois tornou-se mais abrangente, à medida que aumentou a adesão popular, transformando-se num movimento de contestação social por melhores condições de vida, cujas principais queixas eram impostos demasiado altos e quebra do poder de compra.

Desde 17 de novembro, e ao longo de cinco sábados consecutivos, muitos milhares de manifestantes invadiram as ruas, com alguma violência, incendiando viaturas e contentores do lixo, arrombando e pilhando lojas por todo o país e entrando em confronto direto com as forças policiais, o que causou centenas de feridos e milhares de detenções.

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Observador
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